segunda-feira, 9 de maio de 2011

"Homus e quibe cru + carne damasco" (Bar do Toninho - Belo Horizonte, MG)

Vila Árabe e Tenda do Sheik são duas ótimas casas especializadas em culinária libanesa em Belo Horizonte. A primeira tem cardápio requintado e preços salgados. Já a segunda é uma agradável choperia com mesas na calçada.

Mas qual seria a solução para os amantes da chamada comida árabe que não abrem mão de um bom boteco?

A resposta veio por meio de alguns amigos que indicaram o Bar do Toninho, no bairro Serra.

Aberto em 1958 como armazém e transformado exclusivamente em bar em 1983, o "Toninho" é um boteco à moda antiga, que tem 10 mesas distribuídas pelo pequeno salão e que não tem cardápio individual, e sim um quadro na parede que indica todos os itens oferecidos e seus respectivos preços.


O atendimento é feito pelo proprietário que dá nome ao bar e por seu filho, Daniel, e o preparo dos petiscos fica a cargo da família.


A maior atração é a porção mista de homus (pasta de grão de bico) com quibe cru, a R$12.


O espetacular homus é cheio de vida, e não tem aquele sabor residual que, não raramente, encontramos por aí.

Já o ótimo quibe cru é preparado com carne magra, tem sabor suave e quantidade equilibrada de trigo.

Deve-se ressaltar o cuidado na montagem do prato, que, antes de chegar à mesa, recebe uma generosa quantidade de azeite e pequenos bastões de cebola crua, que são distribuídos sobre a porção.

Todo este trabalho fica a cargo do próprio Toninho.




Na estufa refrigerada do bar chama atenção também a carne damasco, que é um petisco frio preparado com finas fatias de lagarto, cebolas roxas e brancas cruas, pimentões vermelho e amarelo, damasco e orégano. Ela é leve, saborosa e conquista pelo frescor, como tudo que é servido no bar. Custa R$15.


Acompanhamento ideal, o pão sírio é o único item não preparado na casa. Ele já chega partido em pequenos triângulos e custa R$0,65 cada.

Fazem sucesso também a boa esfiha fechada de carne (R$2,50) e o quibe (R$2,50), que é apenas regular, mas que só é frito após o pedido do cliente.

Outro fator positivo é que a cerveja do local sempre chega à mesa estupidamente gelada, muitas vezes com o chamado "véu de noiva", que é quando a garrafa fica branca por fora devido ao seu resfriamento. Daí a menção honrosa que recebeu do Festival Comida di Buteco em 2003 por ter a cerveja mais gelada entre os bares participantes. Brahma, Skol e Antarctica são os rótulos oferecidos a R$4. Cada garrafa de Bohemia, Original e Serra Malte custa R$5.

Por falar em Comida di Buteco, o Toninho não participa desta edição e, por isso, é uma ótima opção para quem quer fugir da confusão dos bares participantes, que estão sempre lotados e, muitas vezes, com atendimento caótico.

Outros indícios de que o estabelecimento é um bar à moda antiga são a não aceitação de cartões de débito e de crédito, a clientela predominantemente masculina e composta por moradores da vizinhança, e a comanda, que chega à mesa com anotações feitas à caneta.

O Bar do Toninho não cobra os 10% relativos ao serviço de garçom e funciona de segunda a sexta, das 17h:30 às 23 horas, e aos sábados, de 14h às 18h. Toda terça tem charuto de repolho.

Mas atenção, tudo indica que, se você for ao "Toninho" uma única vez, há grandes chances de se transformar em freguês assíduo deste agradável boteco familiar.




BAR DO TONINHO
Rua Níquel, 246 - Serra
Belo Horizonte, MG

2 comentários:

  1. Boa Nenas, muito bom que vc procurou algo que foge ao Comida di Buteco, que como toda modinha de BH, destrói a verdadeira tradição butequeira. Se antigamente Comida de Buteco era costelhinha, moela, torresmo com mandioca, em preços que cabiam no bolso e quantidades que serviam um batalhão. Hj eu não acho que Lascas de Lagarto ao molho de Geléia de Siriguela refogadas no óleo de pequi possa ser considerado Comida di Buteco, está muito mais pra um bistro no estilo Le Almofadón. Nada pior que Jeca tentando ser sofisticado. A beleza do Jeca está na simplicidade e no próprio Jequismo.

    Mas é isso ai. Deixa a rapaziada fazendo fila pra comer invenções cada vez mais esdrúxulas, com um serviço cada vez mais caótico e vamos lá pretigiar os verdadeiros botecos, que não tem que pagar Jabá pra participar de Festival e ganham a clientela devido a qualidade e tradição e não modismos.

    Abraço

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  2. fantástico o lugar. tenho que ir lá

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