sexta-feira, 21 de agosto de 2015

"Chivito completo" (Rex - Punta del Este, Uruguai)



Juntamente com o churrasco, o chivito é o prato nacional uruguaio. O sanduíche de carne é considerado patrimônio nacional e é encontrado em qualquer bar ou restaurante país afora. 

Ele foi criado por Antonio Carbonaro, no restaurante El Mejillón, em Punta del Este, numa madrugada de inverno, em meados de julho de 1946.

A receita original tinha como ingredientes o pão roseta, típico do balneário, quente e amanteigado, uma fatia de presunto e um bife de filé mignon. 

Hoje, um chivito é preparado, basicamente, com pão, bife, presunto, muçarela, ovo, bacon, alface, tomate e maionese. Muitas vezes, a estes itens são adicionados ingredientes como cogumelo, cebola, pimentão vermelho e picles variados. Quase sempre o sanduíche é escoltado por batatas fritas. Existe também a versão "ao plato", sem o pão. 

O restaurante El Mejillón não existe mais - foi vendido por Carbonaro em 1961 e encerrou suas atividades dez anos depois -, e, em Punta del Este, a lanchonete Rex é conhecida por servir o melhor chivito da cidade atualmente. 

Inaugurada em 1996, a Rex tem jeitão de lanchonete estadunidense e, por isso, se auto intitula um diner



Mas o forte do local são as comidas rápidas uruguaias, com destaque para os panchos e para os chivitos. 

Espécie de cachorro-quente uruguaio, o pancho é imenso e preparado com pão tostado e salsicha. Custa 70 pesos uruguaios (R$8,50). 

A versão com queijo e bacon é ótima, e sai por 110 pesos (R$13,40). 



A muçarela derretida com o bacon frito na chapa formam uma grande dupla. Porém, a qualidade da salsicha servida na casa é inferior à da La Pasiva



A dica é dividir o pancho com alguém e, logo após, pedir um chivito, símbolo gastronômico do local e servido em três versões. 

O chivito rex tranqui é preparado com filé mignon, queijo, tomate e alface, e custa 280 pesos uruguaios (R$34). Na versão completa, a 320 pesos (R$39), são adicionados presunto, bacon, ovo e batatas fritas. Existe também o com frango, cuja receita é a mesma do rex tranqui, apenas com a mudança da carne. O valor deste último é 260 pesos uruguaios (R$31,70). 

Como todo chivito que se preze deve ser grande e farto, o completo é a pedida certa. É um bom sanduíche que satisfaz o estômago. Mas poderia ser ainda maior!

Ele é servido com a bandeira uruguaia sobre o pão. 



O filé é bem fininho, maior que o pão e com pouco sal, como é habitual no Uruguai. A fatia de presunto também é cortada finamente, e o tomate e a alface são frescos. O ovo é frito, o que é pouco usual, já que a maioria dos chivitos leva ovo cozido picado. 






As boas batatas fritas e o saboroso ketchup caseiro, com um toque de pimenta-do-reino, acompanham o sanduíche. 



No entanto, o melhor chivito que já experimentei foi o monstruoso servido na Chiviteria Marcos, em Montevidéu. Este sim, dos deuses. 

Para acompanhar, boa opção é a cerveja Patricia. A garrafa de um litro sai por 150 pesos uruguaios (R$18) e poderia ser mais gelada. A long neck vale 80 pesos (R$9,75). 



A lanchonete Rex possui mesas na calçada, no salão interno, onde há também um extenso balcão com cadeiras altas, e na varanda, de onde é possível avistar uma pequena parte do mar. 







O estabelecimento tem ambiente moderninho para os padrões uruguaios, com música ambiente, e só aceita dinheiro como forma de pagamento. 



Funciona durante 24 horas no verão, e os horários de atendimento durante a baixa temporada devem ser consultados com antecedência, já que a casa não funciona durante alguns meses do ano. 

Como bem definiu o famoso chef e apresentador estadunidense, Anthony Bourdain, em 2008, em seu programa Sem Reservas, "o chivito é o rei dos sanduíches de carne". É provar e se apaixonar. 



REX
Ruta 10, Km 161
Punta del Este (Uruguai)
Tel: + 598 4277 1504

sexta-feira, 24 de julho de 2015

"Frankfurter con panceta" (La Pasiva - Punta del Este, Uruguai)



Pão, salsicha e uma bela fatia de bacon. Assim é o frankfurter con panceta da simpática cadeia de lanchonetes uruguaia La Pasiva. 



Trata-se de um lanche sem maiores pretensões, porém espetacular, cujo segredo está na qualidade dos ingredientes. 



O pão é macio e não esfarela, a salsicha é firme e o bacon, que a envolve pornograficamente, é crocante e sequinho. Básico, mas cheio de sabor. 



Vai bem com a boa mostarda branca, produzida pela rede e à base de cerveja. Mas vai bem também sem nada por cima, de tão perfeito que é. 





O frankfurter é pequeno, leve e custa 85 pesos uruguaios (R$10). Por isso, é possível comer três ou quatro na companhia do bom chope da marca Pilsen, na caneca de 500 ml. Gelado na temperatura ideal, sai por 125 pesos (R$15).



Vale destacar que a salsicha é do tamanho do pão, ao contrário dos cachorros-quentes no Brasil, em que a primeira e a última mordidas só encontram massa, já que o pão é maior que o embutido. 



Vale a pena experimentar também o excelente e viciante frankfurter "solo con uno" - apenas pão e salsicha de boa qualidade - e a versão com muçarela lindamente gratinada, em que o pão some em meio ao queijo derretido. 

O primeiro custa 42 pesos uruguaios (R$5) e o segundo vale 85 (R$10).





Trata-se de ótima opção para um lanche rápido, pois os frankfurters ficam prontos em poucos minutos, e, com exceção da versão com muçarela, e possível comê-los caminhando pela rua e utilizando apenas umas das mãos. 

La Pasiva de Punta del Este está dividida entre salão interno, varanda e quiosque na calçada. 







A varanda é agradável, já que, durante o dia, é agraciada pela iluminação natural. 

Diferentemente da decoração da unidade localizada na Ciudad Vieja, em Montevidéu, com seu charmoso ar decadente, La Pasiva da Avenida Gorlero, em Punta, soa mais moderna, além de ter música ambiente. 

O estabelecimento funciona todos os dias, de 8 da manhã as 3 da madrugada, e é excelente opção para se comer bem e não pagar muito no caríssimo balneário uruguaio. 



Definitivamente, o frankfurter con panceta da La Pasiva é melhor do que qualquer sanduíche das famosas cadeias de fast food estadunidenses. 





LA PASIVA
Avenida Gorlero y Calle 28
Punta del Este (Uruguai)
Tel: (00598) 4244-1843

sexta-feira, 3 de julho de 2015

"Entrecôte e papa a la crema roquefort" (Los Caracoles - Punta del Este, Uruguai)



A bonita e supervalorizada Punta del Este é a cidade uruguaia mais desejada pelos brasileiros, que só não estão mais presentes por aquelas bandas do que os hermanos argentinos. 

Carinhosamente chamado apenas de Punta, o balneário de luxo é um local para ver e ser visto, repleto de lojas de grife e de restaurantes caros. 



Mas é possível encontrar algumas pérolas por lá, que, neste caso, são lugares para comer bem a preço justo. 

Um clássico da cidade é Los Caracoles, restaurante com cardápio extenso, que há 44 anos é garantia de boa comida na região. 



São mais de 200 opções oferecidas, somando-se entradas, saladas, sopas, produtos preparados na parrilla, massas, aves, peixes, mariscos, sobremesas e pratos especiais, como o puchero à espanhola, por exemplo. Isso sem contar a carta de bebidas. 

Só o cardápio inchado já prova que o restaurante é à moda antiga. Adicione a isso garçons com gravatas borboletas que dominam a técnica das duas colheres em uma mão, ambiente com muita madeira e duvidosa decoração repleta de caracóis, em menção ao nome do estabelecimento. 

O local é frequentado por muita famílias, e grande parte dos fregueses tem idade avançada. Ainda bem!





Mas, como o que importa é somente a qualidade da comida, vale a pena abrir os trabalhos com o provolone preparado na parrilla e com as linguiças de churrasco, ou chorizos, para os uruguaios. 





A linda provoleta custa 190 pesos uruguaios (R$23) e serve quatro pessoas que queiram beliscar moderadamente. 

Não é um provolone de sabor acentuado, daqueles que chegam a incomodar, e, na parte inferior do queijo, é possível sentir alguma crocância, graças ao tempo de parrilla. 







Já o chorizo é vendido por porção de duas unidades, e seu sabor é semelhante às linguiças de porco servidas nos churrascos brasileiros. 

Dois chorizos saem por 105 pesos (R$12,80). 



O chimichurri, preparado na hora pelo garçom, é apenas razoável, mas vai bem com a linguiça. 





A rodela de tomate e a folha de alface, que timidamente acompanham os chorizos a título de decoração, dão margem à sem-vergonhice. Afinal, juntamente com o pão servido no couvert, o próprio embutido e o chimichurri, formam uma espécie de mini-choripán, o sanduíche de linguiça idolatrado por uruguaios e argentinos. Mas só os caras-de-pau, como este blogueiro, se arriscam nessa ideia. 



Se tiver sorte, você será atendido pelo simpaticíssimo Marcel Dellepiane, que, de tanto assistir ao programa da Ana Maria Braga, fala um português quase perfeito 


Ele explica que a carne uruguaia não é tão macia quanto a argentina porque o gado uruguaio - em sua maior parte - é criado em campo aberto, sem confinamento. 

Da parrilla, alimentada por lenha, saem cortes como picanha e vacio, além da parrillada completa, que serve duas pessoas e que chega à mesa com asado (costela bovina em tiras), riñon (rim bovino), chorizo (linguiça), molleja (timo - glândula localizada no pescoço do boi), morcilla (semelhante ao nosso chouriço) e chinchulín (tradicional iguaria produzida do intestino bovino). 










Vale a pena experimentar o excelente entrecôte, ao ponto, macio e temperado corretamente, sem exageros. A carne soa verdadeira, ao contrário de cortes de casas do estilo Outback. Custa 490 pesos (R$60). 



A ponta do contrafilé uruguaio casa-se perfeitamente com a deliciosa papa a la crema roquefort, que vale 220 pesos (R$27). Assada à perfeição, é de longe a melhor batata ao roquefort que já comi. 



A batata glaceada é um dos fortes da casa. Trata-se de uma interessante combinação de batata doce e açúcar mascavo, que sai da parrilla bem corada. Como é muito doce, é ideal para dividir, pois, com o passar do tempo, torna-se enjoativa. Sai por 125 pesos uruguaios (R$15). 



Se for escolher apenas um acompanhamento, não tenha dúvidas, vá de batata ao creme de queijo roquefort! 



O popular asado de tira (costela de boi) custa 350 pesos (R$42) e é correto, porém abaixo do sensacional servido na Estancia del Puerto, no turístico, porém viciante, Mercado del Puerto, na capital Montevidéu. 



Boa pedida para beber é o vinho H Stagnari Premier safra 2014. O tinto produzido com a uva tannat, corte uruguaio por excelência, é jovem, fresco e tem bom equilíbrio para acompanhar carnes vermelhas. 

É um dos vinhos com melhor custo-benefício da carta, e cada garrafa sai por 380 pesos uruguaios (R$46). 



As cervejas do restaurante são geladíssimas, e a uruguaia Patrícia, envasada em garrafa de 620ml, custa 140 pesos (R$17). 

Punta del Este é uma cidade cara, portanto, não se assuste com os valores praticados por lá, e tenha certeza de que Los Caracoles tem um dos melhores preços do balneário uruguaio. 



As entradas, com provolone e linguiça, as carnes e os acompanhamentos são suficientes para quatro pessoas se alimentarem bem. 

O restaurante cobra 50 pesos uruguaios (R$6,10) referentes ao couvert com pãezinhos e manteiga. 



Clássico absoluto de Punta del Este, Los Caracoles abre todos os dias, de 12h as 16h e de 19h:30 a 0h. Durante a temporada de verão funciona direto, de meio-dia às duas da madrugada. 

A casa aceita real e dá 18% de desconto nas contas pagas com cartões de crédito Visa. 

Um dos restaurantes mais concorridos do balneário, Los Caracoles não tem afetação gourmet, oferece bom atendimento e boas carnes. A paella tem fama de ser maravilhosa. 

A comida não chega a ser delirante, mas é muito bem feita, gostosa e a preço justo, pelo menos em relação aos valores praticados em Punta. 

Definitivamente, vale a visita!







LOS CARACOLES 
Calle 20 (El Remanso), esquina com Calle 28 (Los Meros)
Punta del Este (Uruguai)
Tel: 4244 0912