sexta-feira, 24 de julho de 2015

"Frankfurter con panceta" (La Pasiva - Punta del Este, Uruguai)



Pão, salsicha e uma bela fatia de bacon. Assim é o frankfurter con panceta da simpática cadeia de lanchonetes uruguaia La Pasiva. 



Trata-se de um lanche sem maiores pretensões, porém espetacular, cujo segredo está na qualidade dos ingredientes. 



O pão é macio e não esfarela, a salsicha é firme e o bacon, que a envolve pornograficamente, é crocante e sequinho. Básico, mas cheio de sabor. 



Vai bem com a boa mostarda branca, produzida pela rede e à base de cerveja. Mas vai bem também sem nada por cima, de tão perfeito que é. 





O frankfurter é pequeno, leve e custa 85 pesos uruguaios (R$10). Por isso, é possível comer três ou quatro na companhia do bom chope da marca Pilsen, na caneca de 500 ml. Gelado na temperatura ideal, sai por 125 pesos (R$15).



Vale destacar que a salsicha é do tamanho do pão, ao contrário dos cachorros-quentes no Brasil, em que a primeira e a última mordidas só encontram massa, já que o pão é maior que o embutido. 



Vale a pena experimentar também o excelente e viciante frankfurter "solo con uno" - apenas pão e salsicha de boa qualidade - e a versão com muçarela lindamente gratinada, em que o pão some em meio ao queijo derretido. 

O primeiro custa 42 pesos uruguaios (R$5) e o segundo vale 85 (R$10).





Trata-se de ótima opção para um lanche rápido, pois os frankfurters ficam prontos em poucos minutos, e, com exceção da versão com muçarela, e possível comê-los caminhando pela rua e utilizando apenas umas das mãos. 

La Pasiva de Punta del Este está dividida entre salão interno, varanda e quiosque na calçada. 







A varanda é agradável, já que, durante o dia, é agraciada pela iluminação natural. 

Diferentemente da decoração da unidade localizada na Ciudad Vieja, em Montevidéu, com seu charmoso ar decadente, La Pasiva da Avenida Gorlero, em Punta, soa mais moderna, além de ter música ambiente. 

O estabelecimento funciona todos os dias, de 8 da manhã as 3 da madrugada, e é excelente opção para se comer bem e não pagar muito no caríssimo balneário uruguaio. 



Definitivamente, o frankfurter con panceta da La Pasiva é melhor do que qualquer sanduíche das famosas cadeias de fast food estadunidenses. 





LA PASIVA
Avenida Gorlero y Calle 28
Punta del Este (Uruguai)
Tel: (00598) 4244-1843

sexta-feira, 3 de julho de 2015

"Entrecôte e papa a la crema roquefort" (Los Caracoles - Punta del Este, Uruguai)



A bonita e supervalorizada Punta del Este é a cidade uruguaia mais desejada pelos brasileiros, que só não estão mais presentes por aquelas bandas do que os hermanos argentinos. 

Carinhosamente chamado apenas de Punta, o balneário de luxo é um local para ver e ser visto, repleto de lojas de grife e de restaurantes caros. 



Mas é possível encontrar algumas pérolas por lá, que, neste caso, são lugares para comer bem a preço justo. 

Um clássico da cidade é Los Caracoles, restaurante com cardápio extenso, que há 44 anos é garantia de boa comida na região. 



São mais de 200 opções oferecidas, somando-se entradas, saladas, sopas, produtos preparados na parrilla, massas, aves, peixes, mariscos, sobremesas e pratos especiais, como o puchero à espanhola, por exemplo. Isso sem contar a carta de bebidas. 

Só o cardápio inchado já prova que o restaurante é à moda antiga. Adicione a isso garçons com gravatas borboletas que dominam a técnica das duas colheres em uma mão, ambiente com muita madeira e duvidosa decoração repleta de caracóis, em menção ao nome do estabelecimento. 

O local é frequentado por muita famílias, e grande parte dos fregueses tem idade avançada. Ainda bem!





Mas, como o que importa é somente a qualidade da comida, vale a pena abrir os trabalhos com o provolone preparado na parrilla e com as linguiças de churrasco, ou chorizos, para os uruguaios. 





A linda provoleta custa 190 pesos uruguaios (R$23) e serve quatro pessoas que queiram beliscar moderadamente. 

Não é um provolone de sabor acentuado, daqueles que chegam a incomodar, e, na parte inferior do queijo, é possível sentir alguma crocância, graças ao tempo de parrilla. 







Já o chorizo é vendido por porção de duas unidades, e seu sabor é semelhante às linguiças de porco servidas nos churrascos brasileiros. 

Dois chorizos saem por 105 pesos (R$12,80). 



O chimichurri, preparado na hora pelo garçom, é apenas razoável, mas vai bem com a linguiça. 





A rodela de tomate e a folha de alface, que timidamente acompanham os chorizos a título de decoração, dão margem à sem-vergonhice. Afinal, juntamente com o pão servido no couvert, o próprio embutido e o chimichurri, formam uma espécie de mini-choripán, o sanduíche de linguiça idolatrado por uruguaios e argentinos. Mas só os caras-de-pau, como este blogueiro, se arriscam nessa ideia. 



Se tiver sorte, você será atendido pelo simpaticíssimo Marcel Dellepiane, que, de tanto assistir ao programa da Ana Maria Braga, fala um português quase perfeito 


Ele explica que a carne uruguaia não é tão macia quanto a argentina porque o gado uruguaio - em sua maior parte - é criado em campo aberto, sem confinamento. 

Da parrilla, alimentada por lenha, saem cortes como picanha e vacio, além da parrillada completa, que serve duas pessoas e que chega à mesa com asado (costela bovina em tiras), riñon (rim bovino), chorizo (linguiça), molleja (timo - glândula localizada no pescoço do boi), morcilla (semelhante ao nosso chouriço) e chinchulín (tradicional iguaria produzida do intestino bovino). 










Vale a pena experimentar o excelente entrecôte, ao ponto, macio e temperado corretamente, sem exageros. A carne soa verdadeira, ao contrário de cortes de casas do estilo Outback. Custa 490 pesos (R$60). 



A ponta do contrafilé uruguaio casa-se perfeitamente com a deliciosa papa a la crema roquefort, que vale 220 pesos (R$27). Assada à perfeição, é de longe a melhor batata ao roquefort que já comi. 



A batata glaceada é um dos fortes da casa. Trata-se de uma interessante combinação de batata doce e açúcar mascavo, que sai da parrilla bem corada. Como é muito doce, é ideal para dividir, pois, com o passar do tempo, torna-se enjoativa. Sai por 125 pesos uruguaios (R$15). 



Se for escolher apenas um acompanhamento, não tenha dúvidas, vá de batata ao creme de queijo roquefort! 



O popular asado de tira (costela de boi) custa 350 pesos (R$42) e é correto, porém abaixo do sensacional servido na Estancia del Puerto, no turístico, porém viciante, Mercado del Puerto, na capital Montevidéu. 



Boa pedida para beber é o vinho H Stagnari Premier safra 2014. O tinto produzido com a uva tannat, corte uruguaio por excelência, é jovem, fresco e tem bom equilíbrio para acompanhar carnes vermelhas. 

É um dos vinhos com melhor custo-benefício da carta, e cada garrafa sai por 380 pesos uruguaios (R$46). 



As cervejas do restaurante são geladíssimas, e a uruguaia Patrícia, envasada em garrafa de 620ml, custa 140 pesos (R$17). 

Punta del Este é uma cidade cara, portanto, não se assuste com os valores praticados por lá, e tenha certeza de que Los Caracoles tem um dos melhores preços do balneário uruguaio. 



As entradas, com provolone e linguiça, as carnes e os acompanhamentos são suficientes para quatro pessoas se alimentarem bem. 

O restaurante cobra 50 pesos uruguaios (R$6,10) referentes ao couvert com pãezinhos e manteiga. 



Clássico absoluto de Punta del Este, Los Caracoles abre todos os dias, de 12h as 16h e de 19h:30 a 0h. Durante a temporada de verão funciona direto, de meio-dia às duas da madrugada. 

A casa aceita real e dá 18% de desconto nas contas pagas com cartões de crédito Visa. 

Um dos restaurantes mais concorridos do balneário, Los Caracoles não tem afetação gourmet, oferece bom atendimento e boas carnes. A paella tem fama de ser maravilhosa. 

A comida não chega a ser delirante, mas é muito bem feita, gostosa e a preço justo, pelo menos em relação aos valores praticados em Punta. 

Definitivamente, vale a visita!







LOS CARACOLES 
Calle 20 (El Remanso), esquina com Calle 28 (Los Meros)
Punta del Este (Uruguai)
Tel: 4244 0912

sexta-feira, 12 de junho de 2015

"Alfajor de maizena recheado com doce de leite" (La Casita de Chocolate - Pueblo Edén, Uruguai)



Perder-se também é caminho, escreveu certa vez Clarice Lispector. 

Ela estava certa. Afinal, é assim que muitas vezes descobrimos algo que talvez nunca encontrássemos se não fosse uma estrada errada ou uma matéria cheia de equívocos em uma revista de grande circulação. 

A publicação em questão é a editada e distribuída pela companhia aérea TAM, que, em reportagem dedicada ao Uruguai, indicava uma fazenda, no povoado de Pueblo Edén, onde é possível comer uma bela parrillada na mais plena paz. 

Mas a revista não avisou que ela só é aberta ao público para almoços programados, geralmente em confraternizações, como aniversários e casamentos. 

Após horas dentro de um carro, em busca da tal parrillada, sem sucesso, encontramos, graças à nossa gigantesca fome, a uma placa que indicava sorvetes artesanais e à nossa curiosidade sem limites, a simples, simpática, rústica e deliciosa La Casita de Chocolate. 





Aberto em setembro de 2014, o pequeno comércio é tocado por um casal, que circula pelo local com seu lindo bebê recém-nascido. 

Doces são as únicas opções para comer. Mas eles são tão bons, mas tão bons, que vale a pena se esbaldar sem o menor resquício de culpa. 



Os alfajores, preparados ali mesmo, são as grandes vedetes do pequeno negócio, com destaque para o de maizena recheado com doce de leite. 





A massa de maizena é maravilhosa e desmancha na boca. Tem um toque de limão e lembra, de passagem, um suspiro. Mas é bem melhor. 





Em volta da massa, um pouco de coco ralado - na medida certa - repousa sobre a borda de doce de leite. Vale ressaltar que o alfajor é bem doce, mas não chega a ser enjoativo. Sem dúvida alguma, o melhor que já experimentei até hoje. 



Custa 10 pesos uruguaios (R$1,20) e, definitivamente, é impossível comer apenas um ou mesmo dois. 



Para acompanhar, vale muito a pena pedir e esperar a deliciosa e super gelada limonada, feita na hora, com todo o amor que há neste mundo. A jarra de um litro e meio serve quatro pessoas e sai por 120 pesos (R$14,60). 



O outro alfajor disponível é recheado com membrillo, um doce semelhante, mas não tão bom quanto a nossa goiabada. 





Excelente, o pastele de hojaldre (folhado) recheado com doce de leite tem massa delicada, que se desfaz facilmente, e custa 40 pesos uruguaios (R$4,90) cada um.







Outra excelente opção é a marquise de chocolate, sobremesa composta por sorvete artesanal de baunilha sobre ótimo brownie de chocolate, que vale 90 pesos (R$11).



Com exceção do sorvete, tudo é feito no próprio estabelecimento, que funciona em uma propriedade familiar e que tem algumas mesas de madeira e de plástico espalhadas pelo quintal. 





É um local de paz, onde o único som que se ouve é o do ruminar dos bois. 

Localizado a 30 quilômetros de Punta del Este e autointitulado povoado de pessoas tranquilas, Pueblo Edén é um paraíso escondido entre as serras, onde existem mais bois e ovelhas do que gente - são apenas 250 habitantes. 



Pela primeira vez em minha vida, a comida com sal não fez falta alguma, afinal, comer doces maravilhosos, num ambiente rural e super amoroso, em plena paz, é algo que alimenta não somente o corpo, mas também a alma. 





La Casita de Chocolate não está em nenhum guia de viagens e funciona de terça a domingo, de 13h as 20h.





Vá em busca de alfajores de maizena recheados com doce de leite e, por que não, de elevação espiritual. Para se ter uma ideia, a nossa raiva em relação à revista da TAM passou logo que pisamos na harmoniosa casinha. 

Ah, e se tiver dinheiro sobrando, compre uma fazendinha por lá e fuja dessa loucura que é a vida na cidade grande. 







LA CASITA DE CHOCOLATE
Ruta 12, Km 30
Pueblo Edén (Uruguai)
Tel: + 598 99 228 925