sexta-feira, 24 de abril de 2015

"Milanesa en 2 panes" (Comidas La Ruta - Piriápolis, Uruguai)



A estrada pode proporcionar agradáveis surpresas no que diz respeito à comida. E se o glutão tiver feeling, pode encontrar algo precioso em qualquer canto do planeta. 

Foi o que aconteceu com este jornalista a caminho da bela e bucólica Piriápolis, cidadezinha uruguaia fincada a 97 Km da capital Montevidéu. 

A fome e a sede imperavam, e foi inevitável parar em uma simpática e pequenina casa de lanches na entrada da cidade onde nasceu Ladislao Mazurkiewicz, um dos grandes goleiros do futebol mundial, que fez história pela Celeste Olímpica e que vestiu a camisa do Galo no auge da carreira, na primeira metade da década de 1970. 



Os deuses da gula levaram este que escreve a pedir a milanesa en 2 panes, ao contrário dos amigos César e Luiza e da amada Déborah, que optaram pelas atraentes, porém decepcionantes, empanadas de carne, que saem a 35 pesos uruguaios (R$4,25) cada uma.



A milanesa em dois pães servida no local é emocionante. 

O show começa com música, graças ao som que o bife à milanesa faz ao entrar na gordura quente da fritadeira. O pedido chega ao cliente em menos de três minutos. 



Tradicional em todo o Uruguai, o sanduíche com carne de boi empanada, simplesmente chamado de milanesa, é encontrado em qualquer lugar. Mas este, da lanchonete Comidas La Ruta, é acima da média. 





Custa 80 pesos (R$9,75). O grande pedaço de carne repousa entre dois pães, juntamente com maionese, alface, tomate e dois ovos fritos. 





O bife é fininho e sequinho. E, já que o sanduíche vem em dois pães, dá para dividir entre duas pessoas se a fome não for monstruosa. 



Vale destacar que a combinação entre carne bovina à milanesa e ovo frito duro beira a perfeição. A maionese tem as funções de acrescentar sabor e de não deixar o sanduíche seco. 





Para acompanhar, cai bem uma latinha gelada de Pilsen, uma das cervejas mais tradicionais do país e que custa 39 pesos uruguaios (R$4,75). 



A milanesa especial, com acréscimo de presunto, bacon, muçarela e gustos (pimentão, palmito etc), sai a 120 pesos (R$14,65). 

Chivitos, hamburguesas (hambúrgueres), chorizos al pan (pão com linguiça) e pollo asado (frango assado) também são oferecidos por esta simpática lanchonete de beira de estrada, que, diga-se de passagem, peca ao não disponibilizar o banheiro aos clientes, a não ser que estes 'chorem' muito.



Se for à bonita Piriápolis, cidade de mar calmo e pessoas gentis, pare na estrada e experimente a milanesa. Nem que seja apoiado no capô do carro alugado, antes de chegar à parte central deste município do departamento de Maldonado. 



A Comidas La Ruta funciona de segunda a sábado, das 11 da manhã às 11 da noite. 





Simples, caseiro, bem-feito, barato, farto e gostoso. Assim é a milanesa preparada no local. No frigir dos ovos, é viagem ganha!





COMIDAS LA RUTA
Ruta 37 y Bushental - Pueblo Obrero
Piriápolis (Uruguai)
Tel: + 598 4438-1513

quinta-feira, 2 de abril de 2015

"Sándwich UY! + panqueque de dulce de leche con helado de crema" (Café Brasilero - Montevidéu, Uruguai)



Quantos bares ou cafés com mais de 50 anos existem em sua cidade? E com mais de cem?

Convenhamos que é algo raro, certo? Ainda mais em um mundo onde as coisas são cada vez mais descartáveis, em que apenas o novo é valorizado. 

Mas em Montevidéu a tradição impera, graças a Deus. 

Para se ter uma ideia, a tão em voga gourmetização e os irritantes food trucks - com conceito bonitinho e moderninho - ainda não chegaram à capital uruguaia. 

Mesmo assim, é inegável que algumas tendências vão e outras vêm. Mas isso pouco importa, pois o Café Brasilero continua cravado na belíssima e decadente Ciudad Vieja (a parte mais antiga de Montevidéu) há quase 140 anos. 



Fundado em 1877, é o café em funcionamento mais antigo da cidade. 



Ponto de encontro de intelectuais da velha guarda, é muito frequentado por um dos ícones da literatura latino-americana, o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano. 

Inclusive, o Café Brasilero é considerado a sua segunda casa. No entanto, Galeano se recupera de um problema de saúde, e não tem aparecido por lá.



A decoração é centenária, com muita madeira, dois ventiladores de teto, um bonito lustre, um imponente bar ao fundo, com várias opções de bebidas, e, claro, com muitos quadros com fotografias e matérias sobre o seu cliente mais famoso. 





São apenas 15 mesas, que comportam cerca de 50 pessoas, e vale a pena sentar em uma das duas que ficam ao lado das janelas, com vista para a Rua Ituzaingó. 





O cardápio oferece diversas opções de entradas, saladas, sanduíches, medialunas e pratos com massas e carnes, além de sobremesas. 

Um dos carros-chefes é o sándwich "UY!", a versão da casa para o clássico sanduíche olímpico, tão popular em Montevidéu. 



Para início de conversa, o pão é de miga, com todo seu sabor e maciez. Lembra o nosso pão de forma, mas, além de não ter casca, é mais fino e aerado. Simplesmente espetacular. Pena que não se encontra em Belo Horizonte este tipo de pão. 



No recheio, ovo cozido duro, muçarela e presunto, cortados bem finos, alface, tomate e molho de maionese com toque de ervas. 



Bem montado, é delicado e chega em quatro pedaços, com todos os ingredientes frescos e com uma muçarela de ótima qualidade. 

O molho é suave e delicioso. 



Simples, porém mágico. 



Custa 180 pesos uruguaios (R$22) e, acredite, satisfaz. 

Quem preferir pode pedir sem medo a excelente medialuna de jamón y queso. Trata-se do famoso croissant uruguaio - também muito popular na Argentina -, amanteigado e recheado com presunto e queijo. 





Para beber, boas opções são o suco de laranja natural, a 95 pesos (R$11,50), o café galeano e a cerveja uruguaia Zillertal de 620ml, que vale 140 pesos (R$17). 



O café que homenageia Eduardo Galeano é quente e tem em sua receita doce de leite, licor Amaretto e creme chantilly.

É excelente, pois não é muito doce. Na verdade, sente-se mais o licor do que o doce de leite. O seu preço é 120 pesos uruguaios (R$14,60). 



Antes de ir embora, não deixe de experimentar a sublime panqueque de dulce de leche con helado de crema (panqueca de doce de leite com sorvete de creme). 



Recheada com um doce de leite escuro, pastoso e cheio de personalidade, a panqueca tem massa leve e é coberta por uma casquinha de açúcar queimado. O sorvete de creme é ótimo. 







A união entre o gelado do sorvete, o pastoso do doce de leite, a maciez da massa e o crocante do açúcar queimado leva qualquer um ao paraíso instantaneamente. 



A dica é dividi-la com alguém, já que a panqueca é muito bem recheada e também muito doce. O preço dela é 165 pesos (R$20). 

Nestes 138 anos, o Café Brasilero passou por momentos de esplendor e de crise, e é parada obrigatória para quem visita Montevidéu. 





Tem um ótimo atendimento e aceita todos os cartões de crédito, desde que o valor da conta seja igual ou superior a 200 pesos uruguaios (R$25). Os 10% relativos ao serviço são opcionais. 





O emblemático Café Brasilero faz parte da cultura montevideana e é a cara do Uruguai. Pequeno, charmoso e aconchegante. Sem megalomania. 

Obrigado pela dica, Galeano!









CAFÉ BRASILERO
Ituzaingó, 1447 - Ciudad Vieja 
Montevidéu (Uruguai)
Tel: +598 2917- 2035

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

"Sanduíche de pernil" (Barbazul - Belo Horizonte, MG)



Poucas coisas nesta vida são melhores do que sanduíche de pernil. 

E fazer um bom pernil é uma arte dominada com maestria no Barbazul, boteco localizado no bairro Funcionários, na região Centro Sul de Belo Horizonte. 



Além das 16 opções de tira-gostos fixos, e das 12 de espetinhos, o cardápio oferece, diariamente, três petiscos especiais. 

O pernil é servido às terças e às sextas, ao preço de R$24,90. A meia-porção sai por R$17,50.

Às terças, fazem companhia ao tradicional corte do porco a dobradinha com feijão branco (R$19,90 a porção e R$15 a meia-porção) e o charuto mineiro (R$8 a unidade). 

Sexta-feira é dia de moela com batatas R$19,90 a porção e R$15 a meia-porção) e almôndega (R$17 a porção e R$12 a meia-porção). 

As carnes do dia podem ser colocadas dentro do pão por R$9,90.

É o que se deve fazer com o melhor pernil de Belo Horizonte. 



Temperado com maestria, o corte suíno é fino e suculento - sem exageros -, com uma camada fina de gordura e uma casquinha crocante por cima.





Simplesmente espetacular!



O recheio é farto, mas tão tão caprichado quanto os sandubas do Rio. Mas, verdade seja dita, é tão bom que não precisa de queijo ou de qualquer outro acompanhamento.



Quer dizer, é um sanduíche leve, que vai muito bem acompanhado de uma cerveja gelada, que pode ser Antarctica (R$7), Skol e Brahma (R$7,50 cada) ou Original, Serra Malte e Brahma Extra (R$8,50 cada).





O pão francês utilizado é da boa - outrora melhor - padaria Vianney. Mais um ponto positivo.



Único sanduíche fixo do cardápio, o de filé custa R$13,50, e se for acompanhado de queijo passa para R$15.

O Barbazul aceita cartões de débito e de crédito e funciona de segunda a sexta, das 8 da manhã à meia-noite. Aos sábados abre às 10 horas e fecha no mesmo horário do restante da semana. 

Cerveja gelada e sanduíche de pernil me fazem lembrar que o planeta Terra ainda nos oferece coisas boas. 



BARBAZUL
Avenida Getúlio Vargas, 216 - Funcionários 
Belo Horizonte (MG)
Tel: (31) 2535-3527